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quarta-feira, 1 de agosto de 2018

CHURCHILL E A VERDADEIRA ARTE DE LIDERAR

Um homem que amou seu povo e foi muito além do que um mero chefe, foi um servo-líder de seus cidadãos.

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“Um homem que amou seu povo e foi muito além do que um mero chefe,
foi um servo-líder de seus cidadãos”
liderança é um dom, competência, treinamento ou herança? Não sei ao certo, mas olhando para Winston Churchill podemos vislumbrar um pouco daquilo que chamamos de estadista ― um verdadeiro estadista ― aquele que possui em sua fala, ação e espírito, uma verdadeira arte de liderar; e para podermos chamá-lo assim ― estadista ― precisamos muito mais que um mero apreço por sua pessoa, crenças políticas, gostos peculiares ou qualquer outro aspecto superficial de sua vida. É preciso olhar a construção desse edifício colossal de liberdade e senso moral que foi o ex-Primeiro Ministro da Inglaterra.
Dizem que o caráter de um homem é testado em tempos de dificuldades, pois bem, não houve época tão sombria na modernidade quanto a era das tiranias nazistas e comunistas; Churchill foi erigido, tanto por seus pares, como por Deus, a participar de maneira efetiva no front político nesse tempo desgraçado e caótico. Entretanto, mais do que muitos supunham, a arma principal de Churchill não foi seu exército ambivalente, mas sim seus discursos que inflamavam, traziam esperanças, receios, paz, horror, e principalmente a capacidade de unir uma nação em torno de uma missão comum, que naquele momento era enfrentar o imperialismo nazista que avançava com suas paranoias e carnificinas sobre os princípios do Ocidente.
“Talvez tão importante quanto as armas, aviões, tropas e munições, a comunicação dirigida a soldados e população manteve a chama acesa, a luta e a vontade de vencer” (p. 60), diz o pesquisador Ricardo Sondermann em seu livro Churchill e a Ciência por Trás dos Discursos: Como Palavras se Transformam em Armas. Livro recém lançado pela editora LVM.
Sondermann traz ao mercado editorial brasileiro uma profunda análise discursal de Churchil; se valendo de uma carga intelectual invejável sobre o assunto ― além de um adendo histórico familiar, de uma origem judaico-europeia ―, o seu livro é um documento analítico sobre o homem que, sem medo de exageros, salvou o Ocidente através de sua perspicácia, senso moral e liderança.
O livro em questão, muito bem prefaciado por Lucas Berlanza, está firmado sobre a coragem de um homem em contrapor uma ideologia política que tinha como modus operandi o terror e a supressão das liberdades individuais e coletivas do Ocidente organizado. Churchill se encontrava num caldeirão de possibilidades, brigas de egos de homens sedentos por poder.
Império discursal
A missão do ex-Primeiro Ministro estava muito além de assinar papeis para enviar tropas para batalhas, unir o parlamento em torno de suas pautas ou conseguir o apoio do Rei Jorge VI para endossar suas retóricas; sua missão primária era conquistar a opinião pública que o via como um político ultrapassado e de ideias parcas.
Além de conquistar a opinião pública, deveria ele unir o povo de maneira a apoiar nacionalmente sua empreitada em defesa da Europa e do Ocidente, e, por fim, conseguir que demais países, como Estados Unidos e Canadá, apoiassem sua investida militar.
E para tais fins, ele dispôs de um dos mais antigos artifícios da humanidade: o discurso. Ricardo Sondermann, com conhecimento linguístico e retórico, demonstra como Churchill, muito além de se deixar guiar por palavras bonitas e jargões ideológicos, criou um verdadeiro império discursal em seu tempo de governo. Churchill tinha um apreço por seus discursos que beirava o perfeccionismo; há relatos de horas e mais horas a fio gastos por ele na intenção de encaixar palavras mais adequadas e ajustar sentenças com mais perfeição. Era mais que um mero ajuste linguístico, era para Winston uma questão de sobrevivência de seu governo e conquista de apreço popular à sua aliança com os demais países do Ocidente.
Do ideal para a realidade
Os discursos de Churchill chegavam ao mundo inteiro via rádio ou jornais, as réplicas de suas falas se tornavam mais que mero fetiche acadêmico, elas invadiam os espaços públicos como Igrejas, bares e praças. Suas definições, metáforas e termos mais robustos viravam jargões populares, e justamente por não ter habitado exclusivamente na academia, foi o motivo de seus discursos merecerem ainda mais respeito e estudo.
Entretanto, o que mais impressiona no livro em questão, onde o autor analisa os 12 mais importantes discursos de Churchill ― de sua posse como Primeiro Ministro à sua saída do cargo ― é que os discursos de Winston não se perderam no éter sufocante das teorias utópicas, dos discursos idealísticos e pedantes sobre mundos fictícios. Na era do desconstrucionismo, Churchill erigiu novamente o forte da liberdade, ligou o farol dos valores e comandou a destruição da Barad-dûr do mundo real.
Uma das vantagens de se escrever sobre a história, é poder vislumbrar aquilo que a coragem de alguns projetara como meta no futuro; e no caso de Churchill, é fascinante perceber que suas metas saíram dos idealismos e habitaram a realidade.
O realismo que perpassa as palavras do Primeiro Ministro, unido a um sarcasmo verdadeiramente contagiante, fez com que suas palavras se tornassem degustáveis; diz Churchill sobre a democracia:
“Ninguém acha que a democracia é perfeita e irretocável. Na realidade, já foi dito que a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as outras já experimentadas de tempos em tempos” (p. 51).
Esse realismo sarcástico, misturado com o característico ceticismo pessimistas dos conservadores britânicos, facilmente se uniu com o pragmatismo americano. Essa união fez com que, enquanto nazistas e comunistas divagavam sobre seus mundos ideais, o Ocidente mantivesse seus valores básicos: os princípios Judaico-Cristãos, Direito Natural e Filosofia Grega.
Essa união de pragmatismo e senso moral fez com que o discurso e ação efetiva se unissem num esforço conjunto de defesa e contrapropaganda. Nesse fato jaz a virtude magnânima de Churchill, isto é: a união de inteligência e praticidade, conhecimento e pragmatismo, capacidade de unir a nação em torno do resguardo dos princípios morais basilares da sociedade, e não de suas ideias e ideologias particulares.
Sonderman, através dessa obra monumental de análise, mostra como um estadista age, como um verdadeiro homem-do-povo faz. Em seu último discurso ele disse:
“Só me resta expressar ao povo britânico, para quem trabalhei em todos estes perigosos anos, minha profunda gratidão pelo firme e inabalável apoio que me deram durante a minha tarefae pelas muitas expressões de gentileza que foram mostradas ao seu servo. (p. 369Grifos meus).
Um homem que amou seu povo e foi muito além do que um mero chefe, foi um servo-líder de seus cidadãos. Ao anoitecer ele empolgava os seus, fazia com que suas palavras adentrasse nas mentes e corações de seu povo, e, ao amanhecer, acordando antes que todos, ele conclamava a seus concidadãos para colocassem “a mão na massa”, que trabalhassem duro por aquilo que eles acreditavam. Para ir além das utopias, para transpor a mera ficção partidária.
Os discursos de Churchill mostravam como a virilidade e inteligência política se uniam a fim de não assistir a ruina daquilo que todos eram herdeiros, os tesouros da humanidade. Como dizia G. K. Chesterton, outro Britânico com culhão para não se esconder atrás de propostas de ecumenismo entre o erro e a verdade:
“Ora, pareceu-me injusto que a humanidade se ocupasse perpetuamente em chamar de más todas aquelas coisas que foram boas o suficiente para tornar outras coisas melhores, em eternamente chutar a escada pela qual subiu”.
Churchill estava decidido a não chutar a escada pelo qual o Ocidente subiu, ele estava abertamente decidido a defender a cultura e a vida de seu povo, por palavras e atos.
Nas primeiras páginas do livro de Ricardo Sondermann, ele nos conta uma história muito ilustrativa sobre o possível rumo da Inglaterra e da Europa caso Churchill não tivesse chegado a ser Primiero-Ministro. Dessa breve conversa que teve com Martin Gilbert, um dos maiores historiadores e biógrafos de Winston Churchill que contemporaneidade teve, Sondermann nos relata:
“Tive a oportunidade de perguntar a Sir Martin Gilbert (1936 -2015), em um seminário da Fundação Churchill, em Londres, em outubro de 2011, ‘Se não tivesse sido Churchill o eleito em maio de 1940, e tivesse sido Lord Halifax para…?’ ‘… Estaríamos todos falando alemão’, me respondeu, antes mesmo que eu pudesse terminar a frase”. (p. 38)
Por fim, ao ler um discurso de Winston Churchill é quase possível tocar suas palavras ― assim como Ricardo Sondermann teve a chance de fazer quando tocou nos papeis originais dos discursos do estadista em sua casa. Num Brasil onde os discursos e as práticas são como duas retas paralelas que nunca se tocam, onde a realidade e as ideias são separadas por um mar de proselitismo e utopias, onde fatos e ideologias são entrepostos por desconexões cognitivas que beiram à esquizofrenia; ler o livro de Ricardo Sondermann poderá ser o alicerce de um novo modo de fazer política, unindo liderança, capacidade e praticabilidade de boas ideias.
Discurso e prática resumiram Churchill em sua grandeza na defesa da liberdade. Ludwig von Mises disse certa vez, em As seis lições, que “Ideias, somente ideias podem iluminar a escuridão”. Se isso é verdade, então é justo dizer que na modernidade Churchill foi aquele que melhor segurou essa lanterna.

Texto de minha autoria postado primeiramente em: Gazeta do Povo



Postado do Blog Do Contra:

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