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sábado, 14 de julho de 2018

SOU PASTOR SOMENTE! ISSO BASTA PARA VOCÊ?

O conhecimento que transforma o Pastorado em uma atividade secundária e paralela, e ainda, fonte de orgulho e soberba é realmente prejudicial.



Não desejo começar uma guerra. Não desejo magoar ninguém com meu escrito. Permitam-me o aparente abandono da modéstia (que aliás, não é meu forte), mas eu tenho o mesmo desejo que Lutero teve quando afixou as noventa e cinco teses nas portas da Catedral de Wittenberg, na Alemanha - provocar o debate, a discussão, em busca de novos e mais promissores caminhos e horizontes.

Quero deixar evidente que não sou absolutamente contra a academia. Eu a considero de crucial importância para a formação de profissionais de gabarito e que tenham o compromisso com um bom desempenho, uma boa performance. Tenho aversão á mediocridade. Talvez a busca da excelência produza algumas patologias psíquicas, espirituais e até físicas, mas se buscarmos a excelência com os pés no chão, com humildade, então chegaremos perto do nosso objetivo sem desenvolvermos enfermidades
É preciso que compreendamos que o problema não está na academia, mas sim nas motivações que levam alguns a viverem dentro dela fazendo dela uma forma de arrebanhar admiração e cortejos, elogios e tietagem.

Há alguns anos era bastante o Pastor Presbiteriano ter um curso de Bacharelado em Teologia. Hoje, pelo que tenho presenciado, isso já não é suficiente. É muito comum alguns Conselhos de Igrejas, ao fazerem contato com Pastores com vistas a convidá-los para participarem de um processo de transição Pastoral, pedirem o currículo. Nada de errado quanto a isso, é bom que se frise! A questão é que se o Pastor não tiver um curso de Mestrado, ou de Doutorado, na atualidade, ele será facilmente superado por aquele que os tem, ainda que o outro tenha larga experiência e uma carreira abençoada no Pastorado.

Recordo-me quando fui examinado pelo Conselho da IP de Vila Buenos Aires, SP, sobre meu desejo de ir ao Seminário, estudar e me formar Bacharel em Teologia.

Muito bem; isso já faz 33 anos (29 de Pastorado e 4 de Estudos Teológicos no Seminário JMC). Sou da Turma de 1985 que se formou em 1988 e tem como Patrono, para nosso orgulho e alegria, o Reverendo Atael Fernando Costa, de saudosa memória.

Recordo-me que o Conselho me questionou perguntando por que eu desejava ser Pastor.

Eu disse que me sentia chamado para isso!

Confesso que por maior que fosse minha convicção a esse respeito, eu não tinha noção da dimensão dessa resposta.

Mas é isso que eu tenho tentado ser - Pastor do Rebanho de Deus, conforme bem colocou Pedro em I Pedro 5.1-4.

Eu tinha 30 anos de idade quando isso aconteceu. Já era pai duas vezes e a minha caçulinha chegou quando eu estava no segundo ano de Seminário. 
Repito: É isso que tenho tentado ser – Pastor! E não porque não havia me saído bem na atividade da qual eu tirava o sustento da minha família até os meus trinta anos. Nunca me faltou emprego e eu sempre fui muito bem remunerado. Eu simplesmente sentia dentro de mim um desejo enorme de me entregar mais ao estudo da Palavra de Deus e a Exposição da mesma, de Aconselhar e cuidar espiritualmente das pessoas que professavam a mesma fé que eu, um desejo enorme de me envolver mais diretamente com a evangelização, discipulado e doutrinamento. Assim eu procurei o Conselho da IP de Vila Buenos Aires e revelei esse meu desejo. Revelei também que gostaria muito de atuar em nível do Magistério Eclesiástico.

Amo a docência, mas infelizmente na IPB (não creio que isso seja diferente em outras denominações) essa é uma questão muito politizada, e quem me conhece sabe que não sou politiqueiro. Sou político! Todo homem é um ser político. Todos nós praticamos política. Mas não sou de costurar, fazer arranjos, para “me dar bem”.  

Contento-me em Pastorear! Vivo essencialmente o Pastorado e do Pastorado.

Tenho tentado honrar aquilo que disse ao Conselho daquela minha amada Igreja. Prego, aconselho, ensino, visito, acompanho o nascimento de muitos, sepulto outros tantos, oficio cerimônias de casamento, etc...Tudo o que está incluído no Ministério Sagrado. E ainda, por conta da bondade divina em me dar dons, escrevo e canto.

Mas sou Pastor!

Sinceramente? Como eu gostaria de ser respeitado por isso. Por ser Pastor, somente!

Dizer que Pastor deve ter cheiro das ovelhas que pastoreia é um bonito discurso e frase de efeito, mas se isso não acontecer, serão apenas palavras lançadas ao vento que você leu em algum livro e usou só para impressionar incautos.

Um Pastor de Igreja Local não agrada a todas as ovelhas. Como dizem alguns:- Nem Jesus conseguiu. Não é disso que estou falando. Aliás, sou muito feliz no Pastorado da Igreja Presbiteriana de Mogi das Cruzes, SP! Estou aqui há 12 anos! Já no meu 29º ano de Ministério Sagrado deu para assimilar a realidade – se quisermos agradar a todos, estamos dando o primeiro passo para agradar ninguém.

É preciso compreender no que consiste o Ministério Sagrado e buscar fincar princípios que podem ser avaliados constantemente e até mudados se for necessário, mas o Pastorado não pode ser um navio com velas hasteadas e sem leme.

Repito: Como eu gostaria de ver o respeito a mim e por todos aqueles que são apenas Pastores de almas, que reconhecem o valor da academia, mas não nos permitimos sacrificar as ovelhas em detrimento do refinamento teológico.

Repito: Não sou contra os estudos, a academia!
A IPB precisa de Pastores! Pastores com bom conhecimento, bom preparo, bons cursos de atualização teológica (não de Congressos apenas), tudo isso auferido, mas  não às custas das ovelhas.

Será que é difícil compreender isso? Nenhum Pastor tem o direito de deixar o Pastorado para se envolver com a academia se isso implicar em negligência quanto ao exercício da Poimênica com todas as suas implicações.

Sim, é verdade, precisamos de Pastores com o conhecimento de mestres e também precisamos de mestres que tenham o coração de Pastor.

O conhecimento que não produz piedade é inútil. O conhecimento que não produz temor a Deus e não leva o indivíduo à uma vida de obediência é totalmente fora de propósito. Os títulos auferidos na academia devem servir a um propósito maior quando se trata, principalmente, do Ministério Sagrado e esse propósito é manifestar a Glória do Supremo Pastor, no Pastorado. 
O conhecimento que transforma o Pastorado em uma atividade secundária e paralela, e ainda, fonte de orgulho e soberba é realmente prejudicial.

Desejar ardentemente ser reconhecido como Mestre ou Doutor e não tão ardentemente ser visto como um Pastor do Rebanho de Deus, é vergonhoso para quem um dia, examinado pelo Conselho de uma Igreja, se disse vocacionado, chamado para o Ministério Sagrado.

A pessoa que opta pelo Ministério Sagrado porque simplesmente não teve sucesso em nenhum outro empreendimento é tão prejudicial à Igreja quanto aquele que não se dá bem no Pastorado porque revela completa falta de vocação e tendo vivido situações de total esterilidade, parte para academia fazendo do Pastorado um bico, uma atividade de segunda mão.

Não estou me oferecendo como exemplo, modelo, "tipós".

Sou um eterno aprendiz e em se tratando de Poimênica o fazer diário é a mais eficiente academia.

Se com humildade, com o coração quebrantado, reconhecermos que devemos ter as virtudes do Supremo Pastor que é Cristo, então levaremos a Cruz do Ministério e seremos vencedores como Ele foi. Seremos reconhecidos por Ele, não por humanos falíveis e confusos, como bons despenseiros da graça que um dia nos foi confiada.

Que Deus abençoe os Pastores que Pastoreiam, com conhecimento de mestres, os Mestres que ensinam com o coração de Pastor e aqueles cujo trabalho tem a benção do Supremo Pastor de almas – Cristo Jesus um carpinteiro, um homem simples cuja sabedoria ninguém jamais poderá sobrepujar.


Postado do Blog MAIELLO:
CONTEÚDO

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