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terça-feira, 15 de maio de 2018

O PONTO FINAL - HISTÓRIA DE UM TAXISTA...

TAXISTA CIRO RIBEIRO "APOSENTOU O VOLANTE"

Na semana passada o nosso colega e amigo, Ciro se despediu para sempre da praça. Pendurando as chuteiras, depois de 53 anos de profissão, e batalha (de vida já são quase noventa). Foi um momento triste e difícil, quando removemos de sua viatura o taxímetro, e lhe entregamos.

Percebemos sua voz embargar e no peito os vergões violentos da tristeza  lhe afogarem o ser... em trechos rebuscados; relatos em flashes de vivências, experiências e medos: momentos de apreensão e horror nas garras d'uns fugitivos e cruéis homicidas; vira sua  vida valer muito menos do que um mísero vintém. Escapando ileso, somente por uma daquelas providências inexplicáveis do Divino Criador.

O encanecido companheiro, depois de um fraterno abraço; e as lágrimas, até então represadas lhe driblarem o controle, rolando lhe pela face.

Fiquei deverás comovido e lhe dediquei um singelo poema.

De batismo e
crisma; és Ciro

Homônimo de
um grande rei,

Garboso e delicado 
Sempre gentil e humilde também

O tempo que urde e a tudo transcende em
seu voraz badalar atrofia o olhar de um lince

Extraí do verdejante o viço em meio a um soluço contido
obriga o valente a aquietar-se.

Bandeiras... 1,2 neons e esquinas dobradas;
piscas cintilantes, íons de monóxido suspenso no ar.
Vamos lá! motorista.

O Táxi corre e desliza na via láctea de um turbilhão de avenidas
que explodem alucinadas em sons e luzes.

Gotas de sereno; raios de lua e estrelas,
Refletidos no meu para-brisa.

Eu via a outra via,
correndo  na companhia de minha solidão.

Mão, contramão, sinais.
Pelo retrovisor ofusca me a saudade (...)
resíduos que o limpador, no seu ir e vir insistente não esvai.

Lavor; e velhos amigos,
irmãos, de lágrima e sorriso
parceiros das horas de espera

Na praça a Primavera, passa 
e da juventude efêmera de cuja a fragrância se exala

Agradecer a Deus é preciso;
numa prece de fé mui contrita.

- O cais anseia o aceno do mar
- A ida chora o retorno da vinda

Do existir desabrocha
o após um ciclo novo, orvalhos...
alvorada a raiar

Conte outra história vovô, vem contar!!!

Aceite pois, deste povo
um abraço...
dos companheiros
o afeto e o afago.

E deste afeiçoado poeta:
uns parcos
versos  rasos.


João Carlos Aboboreira Souza
PRESIDENTE DO SINDICATO DOS TAXISTAS DE JEQUIÉ
_JCSuzart_

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Большое спасибо за ваш визит. Да благословит вас Бог.
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