WEB RÁDIO JESUS A VIDA

domingo, 5 de novembro de 2017

IDEOLOGIA DE GÊNERO OBEDECE A BULA PAPAL DE SOROS... (VEJA COMO MELHOR DEFINIR ESTA MATÉRIA)

O Currículo do Urubu...


O rei leão,  nobre cavalheiro,  resolveu  certa  vez que  nenhum  de  seus súditos haveria de morrer na ignorância. Que bem maior que a educação poderia existir? Convocou o urubu, impecavelmente trajado em sua beca doutoral, companheiro de preferência se de churrascos, para assumir a responsabilidade de organizar e redigir a cruzada do saber. 
Que os bichos precisavam de educação, não havia dúvidas. O problema primeiro era o que ensinar. 
Questão de currículo: estabelecer as coisas sobre as quais os mestres iriam falar e os discípulos iriam aprender.
Parece que havia acordo entre os participantes do grupo de trabalho, todos urubus, é claro: os pensamentos de urubus eram os mais verdadeiros; o andar de urubu era o mais elegantes; as preferências de nariz e de língua dos urubus eram as mais adequadas para uma saúde perfeita; a cor dos urubus era a mais tranquilizante; o canto dos urubus era o mais bonito.
Em suma: o que é bom para os urubus é bom para o resto dos bichos.  E, assim organizaram os currículos, com todo o rigor e precisão que as últimas conquistas da didática e da psicologia da aprendizagem podiam merecer.
Elaboraram-se sistemas sofisticados de avaliação para teste da aprendizagem.
Os futuros mestres foram informados da importância do diálogo para que o ensino fosse mais eficaz e   chegavam mesmo, vez por outra, a citar Martin Buber.
Isto tudo sem falar na parafernália tecnológica que se importou do exterior, máquinas sofisticadas que podiam repetir as aulas à vontade para os mais  burrinhos, e  fascinantes  circuitos  de televisão.
Ah!  Que  beleza. Tudo  aquilo  dava  uma    deliciosa impressão de progresso e eficiência e os repórteres não se cansavam de fotografar as luzinhas piscantes das máquinas que haveriam de produzir o saber, como uma linha de montagem produz um automóvel. 
Questão de organização, questão de técnica. Não poderia haver falhas.
Começaram as aulas, de clareza meridiana. Todo mundo entendia. Só que o corpo rejeitava.
Depois de uma aula sobre o cheiro e o gosto bom da carniça, podiam se ver grupinhos de passarinhos que discretamente (para não ofender os mestres) vomitavam atrás das árvores. Por mais que fizessem ordem unida para aprender o gingado do urubu, bastava que se pilhassem fora da escola para que voltassem todos os velhos e detestáveis hábitos de andar. E o pavão e as araras não paravam de  cochichar, caçoando  da cor dos urubus:  "Preto  é a cor  mais bonita? Uma ova..."
E assim, as  coisas  se  desenrolaram, de fracasso, a despeito dos métodos cada vez mais científicos e das estatísticas que subiam. E todos comentavam, sem entender: "A educação vai muito mal..."

UMA IDÉIA A SER EXPLORADA: Para educar bem-ti-vi  preciso gostar  de bem-ti-vi,  respeitar  seu gosto, não ter projeto  de  tranformá-lo em urubu. Um bem-ti-vi  será  sempre um urubu de  segunda  categoria.
    
Rubem Alves




Postado do Blog da RosaBio:

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