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terça-feira, 14 de julho de 2015

A CORRUPÇÃO E O LIMITE DA DESFAÇATEZ

‘de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus (...) o homem sentia vergonha de ser honesto’



VERIVALDO SANTANA

Graças à grande influência da mídia conservadora brasileira os principais 
veículos de comunicação do País têm tratado a corrupção tupiniquim como se recente fosse o fenômeno.
Para não irmos tão longe, em um discurso que fizera no Congresso Nacional em 1914 o então senador Ruy Barbosa denunciou – já naquela época – que ‘de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus (...) o homem sentia vergonha de ser honesto’.
O interessante é que a mídia tem deixado transparecer que corrupção tem lado, como se ela não estivesse com seus tentáculos entranhados nos diversos órgãos dos três poderes da República. E no ‘quarto poder’ também!
É muito comum denunciar corrupção tão somente nos poderes executivo e legislativo. No poder judiciário parece só haver catão.
Quem não se lembra da roubalheira perpetrada por um juiz na construção do Tribunal Regional do Trabalho em São Paulo, descoberto pela CPI do Judiciário no ano 2000? Atualizado, o valor chegaria a R$ 675 milhões.
Quando esteve presidente do Conselho Nacional de Justiça, a então ministra do Superior Tribunal de Justiça, Eliana Calmon, denunciou a venda de sentenças no mercado paralelo por desembargadores, ao que classificou os magistrados ímprobos de ‘bandidos de toga’.
Recentemente, o Ministério Público do Ceará abriu processo investigatório em face de um procurador-geral do Estado para apurar denúncias de cometimentos dos crimes de peculato, corrupção ativa e passiva, falsificação de documento público, uso de documento falso, advocacia administrativa e fraude processual. Inacreditável!
No âmbito legislativo, ainda lá no ano 2000 o então senador peemedebista – Luiz Estêvão – fora condenado a quase cinco anos de prisão por prática de crime contra a ordem tributária, por ter sonegado em valor de hoje R$ 187 milhões. Mas a roubalheira não parou ali.
O Executivo, por sua vez, não deixa a desejar quando o assunto é corrupção. Sobretudo pela relação promíscua que os governos mantêm com os parlamentares. Fruto desta simbiose política, o Ministério Público Federal estimou que o valor desviado para abastecer o ‘mensalão’ fora de R$ 141 milhões, cerca de R$ 460 milhões se atualizado.
Na delação que fizera a um juiz federal, um doleiro confessou ter entregado mensalmente para a irmã de um deputado federal mineiro a bagatela de R$ 100 mil, tendo somado R$ 5,5 milhões, episódio que ficou conhecido como a lista de Furnas, cuja autenticidade foi confirmada por laudo da Polícia Federal. Mais 156 parlamentares estiveram envolvidos na roubalheira.
E para não dizer que não citei o ‘quarto poder’, a mídia brasileira frequentemente está associada a escândalos de corrupção, tudo devidamente abafado. Para se ter uma ideia da lambança foi vazada uma lista de barões da mídia com dinheiro não declarado aplicado em paraísos fiscais.
A sonegação de impostos por uma rede de televisão em operação de transmissão de jogos da copa gerou um auto de infração de mais de R$ 1 bilhão em moeda de hoje. Essa mesma rede está envolvida em falcatruas com entidades de futebol.
Na operação denominada de Zelotes as autoridades já descobriram mais de R$ 19 bilhões em fraudes fiscais. Os envolvidos? Da lista constam bancos, emissoras de televisão, montadoras, concessionárias de serviço público, etc.
O problema é que a cada escândalo divulgado, uma gama de outros já fica à espera para servir a qualquer interesse.
Assim, ficamos sabendo apenas do que é conveniente, porque segundo a filósofa francesa Simone Weil ‘a dor é a origem do conhecimento’. Em sendo assim, para que sofrer tanto?

VERIVALDO SANTANA LIMA
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Texto da Coluna Edição 1.749 Edição 03/07/2015 (Jornal de Jequié)

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