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quarta-feira, 25 de abril de 2012

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA PERSEGUE PROFISSIONAIS...


Fé, ética, conflitos, e a perseguição religiosa do Conselho Federal de Psicologia do Brasil

Perseguição religiosa no Conselho Regional e Conselho Federal de Psicologia
Marisa defende discussão do papel do
 psicólogo  no tratamento da sexualidade.
Por Giuliana Azevedo

Uma polêmica recente 
envolvendo a psicóloga 
Marisa Lobo traz à 
luz a discussão sobre 
fé e ética e os modos 
de buscar sua coexis-
tência. Será que
a garantia constitu-
cional à liberdade 
individual nos isenta de uma postura de neutralidade
na prática do exercício profissional? Essa neutralidade 
é possível? E o Estado laico, assim como outras institui-
ções, podem coagir o cidadão a deixar de manifestar 
suas convicções religiosas?

Marisa Lobo foi intimada pelo Conselho Regional de Psi-
cologia (CRP) DO Paraná a retirar de seu site, blogs e 
redes sociais todo material que vinculasse sua profis
são a crenças religiosas particulares, sob o risco de 
cassação do registro profissional. A psicóloga entende 
que está sendo perseguida, porém, afirma que não vai 
acatar a ordem do conselho, tampouco negar sua fé, 
e continuará a exercer suas atividades normalmente, 
ainda que sofrendo ameaças de algumas militâncias.

Para Marisa Lobo, o psicólogo acima de tudo é um ser 
humano, portanto, dotado de valores próprios. Alías, 
a Psicologia como "ciência da alma", também seria sub-
jetiva, uma vez que apresenta teorias baseadas em percep
ções de diversos autores. Apesar disso, ela alega que não 
induz nenhum paciente às duas convicções cristãs.

"Temos que entender que quem manda na terapia é o 
paciente. não o psicólogo. Se o desejo dele é seguir 
sua religião, sua tradição, não posso interferir como 
muitos psicólogos fazem, induzindo o paciente a acreditar 
que todas suas dores provém de falta de sexo ou fana-
tismo religioso. É uma teoria de desconstrução do sujeito. 
Tiram Deus da pessoa e a deixam só. Quem acredita em 
Deus, tem uma religião, uma fé, fica aleijado em suas 
emoções, e isso ninguém quer saber", afirma a psicóloga 
que defende mudanças no código de ética da profissão.

Entendendo a importância do debate, o líder da frente 
parlamentar evangélica, João Campos (PSDB-GO), disse 
que pretende levar o assunto para a discussão em audiência 
pública.

"A ética médica, inclusive a ética do profissional de psicologia, 
recomenda que o profissional ao tratar a um paciente 
use apenas a orientação da ciência médica e não suas convic-
ções políticas, religiosas, filosóficas, etc. Mas daí querer 
impor um comportamento a esse profissional fora do seu 
consultório não é razoável no estado democrático", assegura.

Caso que se repete

Marisa Lobo não é a primeira a viver esse embate. Em 2007, 
a psicóloga Rozangela Justino recebeu censura pública do 
Conselho Federal de Psicologia do Brasil (CFP), que confir-
mou resolução do CRP do Rio de Janeiro. Foi alegado que 
Rozangela oferecia tratamento de reversão da homos-
sexualidade, no entanto, a profissional não teve registro 
cassado.

Fonte: Jornal Nosso Tempo, nº 38, Março de 2002.

Postado no Blog de Eliseu Antônio Gomes:
http://belverede.blogspot.com.br/2012/04/fe-etica-conflitos-conselho-psicologia.html

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