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quinta-feira, 23 de junho de 2011

"VIVENDO DE ILUSÃO"



Uma das coisas mais marcantes para mim no meio evangélico pentecostal é como a maioria gosta de viver de ilusão. Pascal (1623-1662), filósofo, físico e matemático francês disse que "uma simples trivialidade consola-nos, porque uma simples trivialidade distrai-nos". Já Eliot (1888-1965), escritor anglo americano disse que "a espécie humana não suporta demasiada realidade".
A realidade para o crente deve ser a Palavra de Deus, seus princípios, suas normas, seus preceitos. Acontece que sempre a santa palavra de Deus nos confronta e revela nosso lado "bad", joga luz sobre nossas mazelas e publica nossa vergonha nos chamando para uma mudança de direção. E esta realidade é dura demais para quem está exposto à teologia positivista do mundo pós moderno.
Aceitar o desafio da Palavra de Deus de andar na contramão deste mundo é demasiado pesado para nós, então optamos pela trivialidade, a doce ilusão de que somos amados e aceitos não como pecadores mas como quem vive no pecado.
Passamos então a crer que Ele está conosco, mesmo que criemos nossas guerrinhas políticas dentro do maldito sistema implantado em nosso reino denominacional regido por ganaciosos Presidentes, amantes dos dízimos e não das ovelhas.
Sim, temos promessas a serem cumpridas em nós e para nós, mesmo não legalizando nossas uniões maritais, mesmo transando antes do casamento, mesmo mentindo, enganando o chefe, inventando histórias para ludibriar, enganar e levar vantagem em tudo.
Erguemos nossas mão nos atos liturgicos e cantamos "entra na minha casa", mesmo estando suja e contaminada de pecados, os quais amamos e os temos em estima. Pois é, "entra na minha casa" e mora com minha prostituição, pensamentos indecentes, meu orgulho e falta de amor.
Sim, Pascal estava certo: "uma simples trivialidade consola-nos". Uma mensagem de um profeta, um "abra a mão para receber", ou ainda um "o Senhor está contigo" vale mauito mais que um "Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres." (Ap. 2:5)
Essa ilusão dá a alguém falsa idéia de que está bem com Deus, quando na verdade está caminhando a passos largos para o inferno.
Acontece que toda ilusão leva a um mesmo lugar: à frustração. Quando se percebe que tudo não passou de uma perversa ilusão, aí vem a frustração e o ódio por tudo que for de Deus se manifesta criando o ambiente favorável para o inimigo de nossas almas.
A maioria dos crentes vivem esta ilusão, nos afastamos dos princípios da Palavra de Deus e estamos vivendo de um evangelho anti bíblico, passamos a conhecer um "jesus" que não está nos Evangelhos.
Tenho visto um monte de gente viver promessas que não são para elas, que estão se iludindo com coisas que Deus nunca fará em suas vidas, alimentando expectativas irreais e cobrando de Deus o que Ele nunca lhes garantiu.
Parece que Elias tinha entrado neste labirinto escuro das cobranças indevidas. Ele lamentava por ter vivido para proclamar o Senhor e não ter resposta positiva por parte do povo. Deus não lhe havia prometido popularidade e aceitação, mas parece que ele esperava isto, ele não se conformava em ficar só e abandonado.
Geralmente, em algum momento de nossa vida, nos encontraremos na mesma situação de Elias, se continuarmos a alimentar determinadas ilusões, se continuarmos a viver de coisas que não estão exaradas nas páginas das Sagradas Escrituras.
Precisamos abandonar a ilusão de uma vida vitoriosa sem compromisso, de uma vida de privilégios sem responsabilidades para com o Senhor e sua Palavra.
Precisamos substituir a mesquinha teologia positivista, pela pelo Evangelho da graça que exige "não se conformar com este mundo". Na teologia positivista e triunfalista somos vencedores mesmo distantes da graça e da santidade. No evangelho da graça somos vencedores mesmo caindo em infortúnio, somos vencedores mesmo em perseguição e desgraça, porque no Evangelho da graça construirmos nossa vida espiritual sobre a rocha da Palavra e não sobre a areia do positivismo tão presente em nossos púlpitos.
Estamos ajudando a criar uma geração que vive de cultos das maravilhas e não das maravilhas do evangelho, que vive das campanhas de libertação e não da libertação dos conceitos equivocados e da escravidão do pecado e do diabo. Uma geração que está vivendo da ilusão de um "outro evangelho", uma geração que, como disse Paulo está "caindo da graça".
Mas, temos a Palavra de Deus. Temos que ter coragem em confrontá-la com nossa teologia e nosso estilo de vida distante dos preceitos do Senhor. Não podemos continuar a alimentar este evangelho ilusório, é preciso mudar agora.

Postado originalmente no blog do Pastor Raimundo Campos:               

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